A RUA DAS HORTAS EXISTE MESMO. FICA SITUADA EM MOURA, NO BAIRRO DO SETE E MEIO.
ESTE BLOGUE É O DIÁRIO DE BORDO DA HORTA COMUNITÁRIA AÍ EXISTENTE. INICIALMENTE ASSOCIADA A UM PROJECTO DE FORMAÇÃO PARA PÚBLICOS DESFAVORECIDOS, COMO ESPAÇO DA COMPONENTE TECNOLÓGICA DO CURSO, A HORTA ENCONTRA-SE AGORA NUMA SEGUNDA FASE. NESTE MOMENTO, ACOLHE ALGUNS DOS FORMANDOS QUE MOSTRARAM VONTADE EM PROSSEGUIR A ACTIVIDADE PARA A QUAL FORAM CAPACITADOS E ESTÁ ABERTA A OUTROS INTERESSADOS EM ACEDER AOS RESTANTES TALHÕES DEIXADOS LIVRES. UNS E OUTROS SÃO RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO COMUNITÁRIA DA HORTA, MEDIANTE A OBSERVÂNCIA DE UM REGULAMENTO E CONTRATO DE UTILIZAÇÃO. ESTE PROJECTO CONTA COM A ORGANIZAÇÃO DA ADCMOURA EM PARCERIA COM A CÂMARA MUNICIPAL DE MOURA, NÚCLEO LOCAL DE INSERÇÃO DA SEGURANÇA SOCIAL, EQUIPA TÉCNICA DE ACOMPANHAMENTO FAMILIAR PROTOCOLO DE MOURA E CENTRO DE EMPREGO DE MOURA. TAL COMO ATÉ AQUI, ESTE É TAMBÉM O ESPAÇO PARA FALAR DE REGENERAÇÃO URBANA, AGRICULTURA BIOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E SOLIDÁRIO.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Oficina de recolha e conservação de sementes tradicionais - um apontamento dos formandos...

A oficina realizou-se na sexta-feira, dia 16 de Dezembro, com o formador José Mariano Fonseca.
Falámos sobre as sementes antigas. Aprendemos que devemos guardar e procurar quem tenha sementes mais antigas. Isto porque são mais benéficas e ficam mais económicas, não temos que comprar todos os anos como as industriais. As sementes antigas podem ser guardadas e semeá-las no ano seguinte porque dão sempre pois dão sempre bons resultados. As industriais pelo contrário só dão no próprio ano e mesmo que as guardemos não vão germinar porque são híbridas.
Uma boa maneira de não perdermos as sementes tradicionais é partilharmo-las com outras pessoas para se as nossas morrerem sabermos onde as podemos reencontrar.
Também aprendemos a tirar as sementes da beringela: tiram-se quando a beringela estiver bem madura; corta-se aos pedaços e mete-se num alguidar fundo; passa-se com uma varinha mágica, as sementes são tão resistentes que não se quebram; depois lavam-se para não perdermos os nutrientes; metemo-la a secar a sombra. Esta é a melhor forma de tirar as sementes da beringela.
Para tirar a semente do feijão o ideal é coloca-lo numa saca e bater com um pau, para que o processo seja mais rápido. Depois temos de passá-lo pela joeira para separar a semente da vagem.
 Conhecemos também uma espécie de alface tipo arbustiva que nunca tínhamos visto nem ouvido falar. No que respeita a esta alface basta tirar uma folha e colocar na terra que pega e forma uma nova alface. Achámo-la muito interessante!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Visita guiada à horta

Antes de iniciarmos a oficina dedicada à conservação de sementes, houve tempo (uma boa parte da manhã)  para uma visita guiada à horta. A desempenhar o papel de cicerones, estiveram os nossos formandos, que se saíram muito bem na apresentação do seu trabalho. Uma espécie de prova oral a que responderam com distinção e louvor, mostrando todos os seus dotes de agricultores a um júri que não deu tréguas, curioso no início e embevecido no final com tudo o que viu e ouviu. Parabéns à horta e a todos e a todas que tudo têm feito para a melhorar!  

A Dina falando do seu talhão e das ervilhas que já despontam


O Jonas apresentando o seu trabalho a uma plateia que não deixa escapar pitada


Estacionados frente ao talhão da Ana Paula e concentrados nas suas explicações 


A oitava maravilha da horta ou o privilégio de regar com água do Castello (sem gás!) 


Em primeiro plano, a horta da Teodora


O Armando, que ainda chegou a tempo para mostrar todo o seu arsenal de conhecimentos


E que tal destapar a pilha de resíduos para a sentir ferver? (já agora: a manta térmica foi amavelmente cedida pela Câmara Municipal de Castro Verde)


domingo, 18 de dezembro de 2011

Lançar a semente à terra

Museu de Joalharia Contemporânea - Alberto Gordillo ou o lugar perfeito em Moura para acolher uma oficina sobre recolha e conservação de sementes tradicionais, que decorreu também ela sob o signo da...perfeição. Não só pela qualidade das instalações (a propósito, os nossos agradecimentos à Câmara Municipal de Moura pela sua cedência), mas também por todo o simbolismo associado, se pensarmos que as sementes são igualmente jóias, jóias da coroa universais que precisam de protecção permanente, tal como as jóias de um museu, pois delas dependem afinal a nossa e as outras formas de vida, a começar pela das próprias plantas.
Este foi mais ou menos o mote de uma conversa muito interessante (6 horas!) que decorreu na passada sexta-feira, com muitas demonstrações práticas pelo meio a ilustrar os momentos principais, lançada e conduzida de modo admirável pelo José Mariano, da Associação Colher para Semear (http://pt-br.facebook.com/pages/Colher-para-Semear/113164618765566), e que percorreu temas como: Reconhecimento de variedades tradicionais/rústicas: como descobri-las e identificá-las; Processos de recolha de sementes; Reprodução e conservação das sementes; Circuitos de partilha e necessidades de aumento de áreas de cultura; Perigos da perda da biodiversidade agrícola; Protecção das espécies vegetais agrícolas e segurança alimentar.
Em síntese, pretendeu-se chamar a atenção para um conjunto de questões centradas na constatação do seguinte facto: a extinção que se processa em todo o mundo e sob os nossos olhos a um ritmo alucinante e se traduz  na perda irreparável de centenas e centenas de sementes de variedades únicas, situação que compromete não apenas a biodiversidade genética mas também a biodiversidade do abastecimento alimentar. Com efeito, cada um de nós que se abastece em supermercados e noutros espaços comerciais tem que ter consciência de que a quantidade alimentar que inunda as prateleiras e satisfaz aparentemente as necessidades imediatas dos consumidores tem o seu reverso em produtos, falando apenas de legumes e frutos, que se reduzem a meia dúzia de variedades modernas apuradas pela tecnologia, de aspecto uniforme e "são", com possibilidade de se conservarem, ainda que artificialmente, ao longo do ano, com sabores e aromas muito diferentes dos encontrados nas variedades tradicionais e provenientes, boa parte deles, de explorações que distam milhares de quilómetros dos centros de consumo, com os problemas ambientais conhecidos daí resultantes. Esta estratégia, levada a cabo pelas multinacionais do sector agro-alimentar, que conduziu ao triunfo da agricultura industrializada em praticamente todo o mundo, tem subjacente a ideia peregrina, para não dizer perigosa, de que para fazer aumentar a quantidade de alimentos disponíveis e evitar crises de escassez alimentar há que apostar num punhado de sementes resistentes e de alto rendimento, sacrificando com isso a diversidade representada pelas variedades tradicionais, que têm uma longa história para contar, ou seja, com provas  dadas no que se refere à sua adaptação natural, ao longo de milénios, a condições ambientais diversas.  Como seria de calcular, as experiências levadas a cabo em certas regiões de África tornaram evidentes os pés de barro em que assenta esta visão produtivista. Verificou-se aí que as sementes formatadas pela engenharia genética,  quando submetidas a climas e ambientes estranhos e ao contrário do que sucede com as sementes tradicionais que registam maior imunidade fruto de uma longa evolução natural, tornaram-se com o tempo mais vulneráveis a doenças, o que implicou a introdução de uma cada vez maior quantidade de fertilizantes químicos e pesticidas tóxicos, acarretando problemas ambientais acrescidos e ajudando ao endividamento dos pequenos agricultores. Ao mesmo tempo, foram estes agricultores que ficaram, de um momento para o outro, dependentes do fornecimento das sementes importadas, já que são programadas de forma a que as plantas descendentes não possam gerar sementes produtivas. Resta dizer que as sementes tradicionais ou se perderam progressivamente, por deixarem de ir à terra, ou acabaram nas mãos das grandes multinacionais que entretanto as patentearam como se de um património seu se tratasse. 
E como se não bastasse, prepara-se agora a União Europeia, invocando a necessidade de rastrear o percurso dos alimentos e a segurança alimentar, para estabelecer uma directiva "legal" no sentido de impedir que as pessoas que sempre semearam e recolheram, assegurando a sua soberania alimentar, possam continuar a agir dessa maneira, isto é,  a poder utilizar as sementes tradicionais, passadas de geração em geração, e que dadas as suas características constituem um recurso vital sempre que se coloquem ameaças de novas pragas ou mudanças climáticas. Ao contrário do que manda fazer a União Europeia, o importante é saber dispersar o risco para garantir o mais possível de imunidade, o que só se consegue  apostando na conservação de sementes de múltiplas variedades, que por sua vez representam um número diversificado de culturas, ao longo de muitas estações e em variados lugares da Terra. 
É por estes e outros atropelos que, mais do que nunca, se justifica a criação de associações por esse mundo fora com os propósitos da Colher para Semear, ou seja: formar e incentivar os agricultores para que procedam à recolha anual e troca das suas próprias sementes; fomentar o uso de variedades tradicionais em práticas de agricultura biológica, uma vez que estão melhor adaptadas a cada contexto local, diminuindo os problemas fitossanitários; reverter a actual situação de perda contínua de biodiversidade genética agrícola, fomentando a recolha, cultivo e catalogação das variedades tradicionais ainda existentes; reintroduzir o uso de vegetais que caíram em desuso, promovendo uma maior diversidade alimentar e uma culinária mais completa , variada e atractiva.
Para a Colher para Semear não basta guardar as sementes em Bancos de Sementes, como acontece em alguns sítios no mundo, incluindo em Portugal, para assegurar a diversidade genética e o abastecimento alimentar no futuro. É que as sementes só na terra conseguem evoluir, isto é, só germinando ciclicamente aprendem a lidar com os desafios constantes colocados pelo ambiente externo. Fechadas num arquivo ou depósito, estas jóias deixam de aprender, permanecendo num estádio de desenvolvimento que as tornará mais expostas e impreparadas se tiverem de enfrentar, no futuro, condições ambientais externas, certamente bem diferentes das actuais. Para se proteger esta memória acumulada que transportam as sementes tradicionais e para não se perder o seu rasto no mundo, há que descobrir, por exemplo, por esse Portugal fora, quem ainda as tenha e cultive, tornando assim possível a sua partilha e disseminação por mais hortas e quintais, ou seja, aumentando  exponencialmente as possibilidades de êxito desta missão, que poderia muito bem ter o seguinte lema:Temos todos que lançar a semente à terra!

O local da oficina: Museu de Joalharia Contemporânea - Alberto Gordillo


Vem a propósito: uma couve à porta do museu!


O José Mariano é um grande comunicador 


Quem sabe das diferenças entre a fava cornija e a fava algarvia?


Os formandos atentos às explicações
Milho branco de Aveiro, que não tem nada que ver com o milho industrial (repare-se, por exemplo, na cor e na
 disposição irregular das fiadas de grãos). Trata-se de um milho que começa a rarear e que é imprescindível na confecção da tradicional broa

 Mais um momento para tirar dúvidas e observar de perto o espólio de sementes
 
 O espólio de sementes, que conta com preciosidades como o Feijão Sete Semanas (recolhido em Olival, Figueiró dos Vinhos), Feijão Bainha Aucha (Mogadouro), Feijão Canário Preciosa (Casal Pedro, Figueiró dos Vinhos), Melancia Mentes Comprida (Odemira), Beringela Roxa Amarela (Andaluzia), Tomate Coração de Boi (Parada de Cunhos), Chícharo Grado (Odemira), Melão rugoso de Colos (Odemira), Beringela Cacau Laranja (Índia), Alface Carmen (França), Feijão Vermelho Mocho (Bairradas). E faltam ainda as sementes de Feijão Papo de Rola trazidas pelo António Cunha, do Monte do Menir.  




Este é o Feijão Côvado, porque o comprimento da haste mede...um côvado! (antiga unidade de medida equivalente a 0,66 m)

Recolha de sementes de tomate

Recolha de sementes de beringela
 
Feijão Cara de Vaca


Resumindo: esta oficina foi espectacular!



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Inocular fungos

Puxamos do vocábulo "inocular" quando  queremos referir-nos a certos animais, como a cascavel, que injectam veneno letal nas suas vítimas. Mas "inocular" é também uma palavra do convívio da medicina, que anda associada, por exemplo, ao processo de produção de vírus que, inoculados nas pessoas e noutros seres, ajudam a combater outros vírus. Ou seja, neste caso "inocular" tem a ver com o acto de vacinar. Por outro lado, dizemos, em sentido figurado, ou se calhar não, que o ciúme inocula-se, mais cedo ou mais tarde, nos corações dos apaixonados, tal como o experimentou Charles Swann na sua relação turbulenta com Odette de Crécy, na colossal e inesquecível Recherche. No entanto, "inocular" reserva-nos uma outra acepção, porventura a mais surpreendente porque a menos conhecida de todas, pois significa, em Biologia, "inserir microrganismos em meios de cultura", leia-se, por exemplo, a inoculação de fungos no âmbito do processo de compostagem, tal como foi engendrado há dias na nossa horta. E como é que isso se faz e qual a razão para assim proceder? A história começa dez dias antes, quando, a pedido da professora Dulce - pedido estranho, convenhamos - somos levados a cozinhar um quilo de arroz sem sal. Concebemos entretanto uma bolsa de rede de plástico de malha fina, de formato quadrado, cosida em três lados, servindo o restante como abertura, através da qual introduzimos o arroz, depois de arrefecido. Ao fim de dez dias e dez noites em que a bolsa foi deixada ao ar livre e ao relento próxima das margens da ribeira de Brenhas, o arroz tinha sido tomado por colónias de fungos de pigmentos ocres, verdes, marrons e pretos, restando muito pouco do branco original. Como explica a professora Dulce, o objectivo desta experiência é o de proporcionar a criação de grandes quantidades de fungos diversos que, uma vez inoculados na pilha de resíduos orgânicos da horta, contribuirão para acelerar o processo de compostagem e tornar o húmus final mais rico em nutrientes. Digerindo ou decompondo a matéria, os microganismos mais não fazem do que  transformar as substâncias complexas presentes nos resíduos em formas químicas mais simples, os nutrientes minerais, que regressam ao solo para serem assimilados pelas plantas, completando-se assim o ciclo da vida. Finda a explicação, é desta massa bolorenta e meio viscosa que a professora Dulce arranca então uma primeira porção, a que se seguirão outras cinco, para a injectar na pilha, com a ajuda de um pau e ante os indisfarçáveis esgares de repulsa dos formandos. Com oxigénio mais  humidade e temperatura adequadas, é certo que os fungos darão o seu melhor nos próximos tempos, de forma prestável, gratuita e a tentar cativar os mais cépticos.  

A admirável história dos fungos


Os fungos apanhados na rede


Aceitam-se voluntários para pegar nos fungos


Os fungos não mordem, por isso não custa nada

 

O último batalhão de fungos tomando de assalto o castelo de resíduos

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Programa do Dia Aberto sobre PAM


Alunos da Universidade de Évora de visita à exploração de Plantas Aromáticas e Medicinais do Monte do Menir,
em Monsaraz
 

E como prometemos no post de dia 18 de Novembro, damos hoje a conhecer, em primeira mão, o programa, que promete!, do Dia Aberto dedicado às Plantas Aromáticas e Medicinais(PAM)  na Universidade de Évora,  promovido pela nossa Associação, a ADCMoura, e o ICAAM - Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (Departamento de Fitotecnia), da Universidade de Évora.  

DIA ABERTO dedicado às Plantas Aromáticas e Medicinais na Universidade de Évora
ICAAM - UNIVERSIDADE DE ÉVORA, NÚCLEO DA MITRA, 14 DEZEMBRO 2011

Programa


10.00
Palavras de boas vindas e de apresentação dos objectivos do Dia Aberto
> Prof. Ricardo Serralheiro | Director do ICAAM
> Ana Elisa Rato | Investigadora do ICAAM / Departamento de Fitotecnia


10.20

Uma fileira económica emergente no Alentejo
Do plano de acção construído durante o projecto MEDISS aos novos projectos de apoio ao desenvolvimento da fileira
> Clara Lourenço | ADCMoura

10.40
Mercados globais e fileira das plantas aromáticas e medicinais em Portugal
Evolução do sector em Portugal e mercados globais. A criação duma marca nacional
> Luís Alves | Cantinho das Aromáticas

11.10

Intervalo para café

11.20
PAINEL PRODUÇÃO (Moderador: Ana Cristina Agulheiro Santos | Depart. Fitotecnia/ UÉvora)
Produção e transformação de plantas aromáticas e medicinais no Alentejo
Experiências diversas de produção e transformação. Necessidades sentidas em matéria de apoio à produção e ao desenvolvimento da fileira
> António Cunha | Monte do Menir
> Jorge e Raquel Alves | Ervitas Catitas
> Pedro Belo | Aromaticland
> Nuno Brissos | Iberian salads


12.20
Debate

13.00

Almoço

14.30
Medicamentos de origem vegetal: sua eficácia, qualidade e segurança
Conceitos, sua importância, factores condicionantes e boas práticas: da matéria-prima vegetal à forma farmacêutica final
> Prof. Júlio Cruz Morais | UÉvora

15.00
Usos industriais das plantas aromáticas e medicinais
Métodos de extracção. Utilização das plantas nas indústrias agroalimentar, farmacêutica e cosmética
> Carmo Serrano | INRB

15.20
Estratégias de protecção das culturas: as PAM como elementos de biodiversidade funcional
Estratégias de conservação de auxiliares ao nível da parcela
> Maria do Céu Godinho | ESA Santarém

15.40

Intervalo para café

16.00
PAINEL INVESTIGAÇÃO (Moderador: José Manuel Calado | Depart. Fitotecnia/ UÉvora)
Estratégias de valorização de plantas aromáticas e medicinais: exemplos com Cynara cardunculus e Cistus ladanifer
> Fátima Duarte e Eliana Jerónimo | CEBAL
Desafios na análise de pesticidas em produtos alimentares. A tecnologia MIP
> Raquel Marta Garcia | UÉvora
Caracterização química e actividade biológica de plantas aromáticas e medicinais do Alentejo. Avaliação das actividades antimicrobiana, antioxidante, farmacológica e toxicológica
> Maria do Rosário Martins | UÉvora


16.40
Debate


17.00
Conclusões dos debates e definição das próximas etapas do processo de desenvolvimento da fileira

EM PARALELO: Mostra de produtos e projectos ligados às plantas aromáticas e medicinais

Organização:
> ICAAM - Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas | Departamento de Fitotecnia |
Universidade de Évora - Núcleo da Mitra | Apartado 94 7002-554 ÉVORA Portugal | T 266760800 |
aerato@uevora.pt |http://www.icaam.uevora.pt/
> ADCMoura – Associação para o Desenvolvimento do Concelho de Moura | Tv. Misericórdia, 4, 1º, 7860-072 MOURA | T +351 285254931 | F +351 285253160 | adcmoura@adcmoura.pt | www.adcmoura.pt |clara.lourenco@adcmoura.pt | Skype ID: clara.adcmoura

Pretende-se com este encontro informal, organizado conjuntamente pela ADCMoura e o ICAAM, contribuir para o aprofundamento das ligações entre a Universidade e as empresas da fileira das plantas aromáticas e medicinais, em favor do desenvolvimento sustentado do sector no Alentejo e no país.
Contar-se-á com a participação de produtores, investigadores e outros actores da fileira na partilha de informação, projectos e recursos disponíveis. Pretende-se assim fomentar a dinâmica de parcerias que resultem da identificação das principais necessidades do sector da produção.
Haverá igualmente oportunidade para mostra de produtos, materiais informativos ou outros, ligados às plantas aromáticas e medicinais, que os participantes queiram trazer.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O amanho das hortaliças

De acordo com o plano de plantação que cada formando traçou para o seu talhão e tendo por base critérios pré-definidos, como gosto pessoal, consociações, aproveitamento do espaço da horta, etc., foram plantados, nas últimas duas semanas, couves diversas, alfaces, cebolas, alhos, alhos franceses, favas, ervilhas, rabanetes, rábanos e morangueiros. Não há dúvida que o projecto da horta começa a ganhar forma e a tornar-se um regalo para os olhos.

O Joaquim cavando regos para plantar alfaces e alhos


A Ana Lúcia preparando o terreno para plantar couves e alfaces


A Isabel regando as couves


O Jonas escolhendo as alfaces e a Dina amanhando a terra 


O Joaquim, o Hugo e o Jorge cuidando dos respectivos talhões


O Armando zelando pelas suas batatas


A Teodora regando as alfaces 


A Dina fazendo o mesmo que a Teodora


A Ana Paula cuidando das suas favas

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O milagre das rosas

Cada um dos talhões dos formandos foi delimitado com estacas de roseiras, para além de alecrins e alfazemas. O talude ou faixa de compensação (barreira que separa as duas parcelas da horta) foi também reforçado com estacas de roseiras como meio de minimizar a erosão e atrair insectos auxiliares e polinizadores, já para não falar do contributo das rosas no embelezamento do local. Esta operação de plantação de roseiras repetiu-se junto às vedações da horta. Outra das vantagens destas plantas é que as pétalas das suas flores são comestíveis!, utilizando-se sobretudo em saladas. As roseiras desempenham ainda um papel de plantas indicadoras de doenças como o oídio ou farinha. Não é por acaso que em muitas vinhas os agricultores as usam como aliadas no combate a esta praga. Afinal, quem disse que as roseiras têm espinhos?; bem pelo contrário, são um verdadeiro milagre da natureza. 


A Ana Paula e o Hugo preparando estacas de roseiras


A professora Dulce e o Hugo plantando estacas de roseiras


Continuação da plantação


As belas rosas da horta, nos dias quentes de Outubro

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Recolha e conservação de sementes tradicionais



OFICINA DE RECOLHA E CONSERVAÇÃO DE SEMENTES TRADICIONAIS
COM JOSÉ MARIANO, DA COLHER PARA SEMEAR - REDE PORTUGUESA DE VARIEDADES TRADICIONAIS
16 DEZEMBRO 2011 
9.30-12.30 / 13.30-16.30
MOURA / SAFARA
ORGANIZAÇÃO: ADCMOURA

A ADCMoura tem vindo a desenvolver actividades diversas no âmbito da produção agrícola em Modo de Produção Biológico, em particular na área da produção de Plantas Aromáticas e Medicinais, mas também na promoção de hortas sociais e no desenvolvimento de uma consciência social valorizadora dos patrimónios locais, com incidência  na valorização da biodiversidade local.
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) instigou a comunidade mundial a preservar e fomentar a biodiversidade agrícola, uma vez que a sua perda ameaça a segurança alimentar a nível mundial. Segundo a mesma organização, a perda da biodiversidade agrícola, em todo o mundo, atinge já cerca de 75 por cento. Ainda de acordo com o relatório da FAO, divulgado no ano passado, é necessário "redobrar os esforços, não só para conservar a biodiversidade das espécies agrícolas, mas também para utilizá-las, especialmente nos países em desenvolvimento."
A ADCMoura comunga desta ideia pelo que promoverá, dia 16 de Dezembro, no âmbito da formação de Produção Agrícola: Hortas Comunitárias, uma Oficina de Recolha e Conservação de Sementes Tradicionais, aberta ao público interessado no tema, visando:
- Formar e incentivar os agricultores para que procedam à recolha anual e troca das suas próprias sementes;
- Fomentar o uso de variedades tradicionais em práticas de agricultura biológica, uma vez que estão melhor adaptadas a cada contexto local, diminuindo os problemas fitossanitários;
- Reverter a actual situação de perda contínua de biodiversidade genética agrícola, fomentando a recolha, cultivo e catalogação das variedades tradicionais ainda existentes;
- Reintroduzir o uso de vegetais que caíram em desuso, promovendo uma maior diversidade alimentar e uma culi-nária mais completa , variada e atractiva.

Programa:
- Reconhecimento de variedades tradicionais/rústicas: como descobri-las e identificá-las;
- Processos de recolha de sementes;
- Reprodução e conservação das sementes;
- Circuitos de partilha e necessidades de aumento de áreas de cultura;
- Perigos da perda da biodiversidade agrícola;
- Protecção das espécies vegetais agrícolas e Segurança Alimentar.

Inscrições limitadas a 30 participantes.
Inscreva-se e traga as suas sementes.
(Inscrição obrigatória; frequência gratuita.)
Contactos: Irene Aparício, ADCMoura, Tv. Misericórdia, 4, 1º    7860-072 Moura

O muladar* da horta

*Muladar significa estrumeira, que por sua vez é sinónimo de esterqueiro, esterqueira, alforza, alfúgera, alfuja, alfuje, alfújera, alfurja, alfurje, aloque, bujinga, busilhão, cadoz, cagaçal, chafurda, chafurdeiro, chavascal, chiqueiro, cortelha, cortelho, esterquice, esterquilínio, lixeira, monturo, montureira, muradal, pocilga, volutabro (Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).  


Ocupámos parte da manhã de quarta-feira a carregar e a descarregar uma carrada de estrume de cavalo proveniente do Centro Hípico do Cerro de Santo António. Para realizar a tarefa contámos com a preciosa colaboração de dois funcionários da Câmara Municipal de Moura que, com o tractor e atrelado que se vê na imagem, possibilitaram o transporte até à horta. Com este estrume de qualidade, a maior parte já curtido, recolhido no picadeiro e nas cavalariças, será certamente melhorada a estrutura do solo da horta assim como facilitada a alimentação dos seres microscópicos que produzem nutrientes para as plantas. Do estrume descarregado, o mais curtido foi espalhado nos talhões de cultivo, uma parte foi depositada e misturada no monte de folhas secas de oliveira, onde está instalada a unidade de compostagem, e a restante, menos curtida, ficou a aguardar na estrumeira. A sua maturação é importante para transformar elementos como o nitrogénio e o potássio em formas que as plantas possam utilizar. É por isso fundamental que o estrume esteja bem decomposto; caso contrário, poderemos queimar as plantas com o calor da fermentação. Em relação à compostagem, foram utilizadas as folhas e ramos de oliveira para criar a base da pilha, seguindo-se uma camada de estrume e de novo mais folhas e ramos, e assim sucessivamente até se atingir 1,30m de altura. Foi ainda utilizada relva proveniente dos espaços verdes geridos pela Câmara Municipal. Todo este material apresentava-se com humidade suficiente, identificada através da "técnica da mão".


Veja-se agora, a título de curiosidade, o modo com que se encarava a fertilização dos campos no Alentejo, no princípio do século XX (1903), pela pena de José da Silva Picão, na sua conhecida obra Através dos Campos - usos e costumes agrícolo-alentejanos (Publicações Dom Quixote, 1983):
"(...) Entre os preparos culturais, nenhum se patenteia mais vantajoso e eficaz do que o da estrumação e adubação das terras. A sua utilidade revela-se a cada passo; é tão conhecida, que não carece de demonstrações.
Há meio século, estrumava-se um terço dos terrenos que se estrumam na actualidade, donde se infere que também neste ponto a agricultura tem adiantado e progredido.
Nos tempos antigos e nas populações campónias, era corrente dizer-se que os estrumes escaldavam as terras, e gafavam de erva as searas. Fosse por isso ou por desleixo, as estrumeiras acumulavam-se e estragavam-se nos arrabaldes dos povoados, e até em alguns montes, durante anos, como coisa inútil ou de insignificante valor. Nas povoações ninguém vendia estercos, à falta de compradores. E quem tinha onde os aplicar, descuidava disso ou aplicava-os sem critério nem confiança, à parte excepções honrosas.(...)
(...) Nas aldeias, despertou agora o interesse e zelo pelo aproveitamento do esterco. A maioria dos moradores faz a sua estrumeira, boa ou reles, para a empregar por conta própria, ou para a vender a quem quer que seja.
Nas herdades observa-se zelo semelhante, muito maior que o de outros tempos, se bem que ainda se deparem desperdícios. A contrastar, há muitos lavradores que, além de aproveitarem rigorosamente os estrumes de sua lavoura, compram nas povoações próximas todo o que podem alcançar, a quinhentos, seiscentos e setecentos réis a carrada de muares. Nunca chega para as encomendas.
Os estrumes provêm das montureiras feitas com dejectos, desperdícios, detritos de toda a ordem, e dos excrementos e urinas dos rebanhos em bardos, apriscos, rociadas e malhadios.
ESTRUMEIRAS - Preparo bastante rudimentar. Umas voltas de vez em quando, revolvendo o estrume de cima para baixo, e eis tudo. Alguns lavradores tapam as estrumeiras com terra, preservando-as assim dos raios do sol e da chuva. Mas a maioria não se importa com isso.
Descobertas ou tapadas, em chegando o tempo próprio, o estrume remove-se para a terra a estercar, onde se distribui aos montões mais ou menos distanciados. Em seguida é espalhado à forquilha, mas sempre com acerto e igualdade, antes um pouco à toa, à míngua de critério de quem o distribui. Para evitar esse contra, há quem prefira espalhar à mão, a lanço, com mulheres, dirigidas por homem experiente. É melhor processo, posto que mais caro e moroso. Na hipótese de se usar, convém que os montículos fiquem maiores. As mulheres enchem neles os coxos, cestos ou gamelas que trazem consigo, e, depois, com o provimento à ilharga, seguem a espalhá-lo pela terra, como se andassem a semear.(...)"


sábado, 26 de novembro de 2011

Ginjinha-do-rei


O nome vernáculo desta árvore, que habita a nossa horta, tem a ver com as suas bagas. Bem maduras, como sucede nesta altura do ano, são adocicadas e comestíveis, o Hugo e o Armando que o digam. Também conhecida por lódão-bastardo e agreira e, entre os biólogos, por Celtis australis L., esta espécie botânica pode chegar aos 30 metros de altura e viver em média 200 anos. Não sendo exigente quanto ao tipo de solo, pois adapta-se a terrenos pobres em húmus, encontra no entanto condições óptimas em solos nutridos e húmidos. Portanto, não é por acaso que este exemplar vive próximo da vala de drenagem do tanque. Só mais uma curiosidade:  a sua madeira, relativamente leve, elástica e dura, era a preferida para o tradicional jogo-do-pau. E por último: este post é dedicado a todos e a todas que frequentam a horta e que julgam, em relação a esta árvore, tratar-se de um pilriteiro.  


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Hortas comunitárias em Castro Verde


Ontem rumámos a Castro Verde para conhecer de perto o projecto das Hortas Comunitárias promovido pelo Município local. Fomos amavelmente recebidos e acompanhados durante a digressão ao terreno pelo vereador António Colaço, responsável pelo pelouro do Ambiente e um dos mentores desta "ideia verde". Ao contrário da nossa horta, com ocupação permanente desde longa data, as hortas comunitárias de Castro Verde foram criadas de raiz, envolvendo um hectare e pouco de terreno numa propriedade de 54 hectares situada nas imediações da vila e adquirida pela autarquia para fazer uma zona de actividades económicas. 




Com um investimento de cerca de 20 mil euros foi possível criar, nesta primeira fase iniciada no passado dia 5 de Outubro, 118 lotes, com 120 metros quadrados cada um, com ponto de rega individual, vedação exterior e compostor, que foram atribuídos mediante candidaturas, pelo prazo de um ano, com possibilidade de renovação por mais um ano. Entre os deveres dos utilizadores das hortas, constam do Regulamento de Funcionamento a utilização da água de rega de forma racional, o dar início às práticas agrícolas até um mês após a entrega do talhão e respectiva assinatura do Acordo de Utilização, mantendo as hortas em produção, e a segurança e o bom uso do espaço. 



E quem são os usufrutuários destas hortas, com que se procura fomentar a prática agrícola de pequena escala como actividade de lazer e terapia ocupacional, promover uma alimentação saudável com produtos de qualidade, aliviar os orçamentos familiares e diminuir a pegada ecológica? São de todas as idades, homens e mulheres, reformados, desempregados,  desfavorecidos, alguns com problemas de toxicodependência, funcionários públicos (da Câmara, professores...), trabalhadores independentes, profissionais liberais, pessoas que não se conheciam e que agora convivem animadas por este espírito de comunidade e de regresso à terra, com o privilégio de poderem acompanhar o método de produção dos alimentos que consomem. É sobretudo ao fim do dia que os novos hortelãos aparecem para cuidar dos seus talhões e para conviverem. Os que não percebem de agricultura informam-se junto dos mais conhecedores. E depois há os que seguem à risca o modo de produção biológico, e que tentam passar aos vizinhos a sua experiência. Como nos conta o nosso anfitrião, as pessoas estão empolgadas e satisfeitas da vida por causa deste projecto, e quem antigamente andava pelos cafés e pelos bancos de jardim  sem nada para fazer vê nas hortas um novo desafio e estímulo para as suas vidas.



Este projecto das Hortas Comunitárias insere-se num projecto ambiental mais vasto de intervenção concelhia denominado Orgânica Verde, promovido pela Liga para a Protecção da Natureza em parceria com a Câmara Municipal de Castro Verde e financiado pelo mecanismo de financiamento europeu EEAGrants. O seu principal objectivo é a sensibilização da população local para a redução dos resíduos orgânicos a colocar em aterro, através da promoção da recolha selectiva destes resíduos e da compostagem doméstica, institucional e comunitária, alicerçada em campanhas de sensibilização e distribuição de materiais promocionais e pedagógicos e mini-baldes para recolha de resíduos. 



Neste âmbito, foi criada uma Unidade Municipal de Compostagem, que tivemos também oportunidade de visitar, para recolha e processamento dos resíduos orgânicos domésticos (como cascas de fruta, restos de vegetais crus, borras de café, sacos de chá e cascas de ovos), depositados em compostores comunitários que se encontram espalhados pela vila.  Esta Unidade recebe ainda directamente grandes quantidades de resíduos verdes resultantes de limpezas de jardins e pomares. Com esta solução ecológica, é possível ganhar não apenas reduzindo o volume de resíduos e a necessidade do seu transporte até aos aterros sanitários da zona, como produzindo composto que é depois utilizado nas hortas comunitárias, com múltiplas vantagens comparativamente a qualquer tipo de fertilizante, e que poderá vir a ser comercializado de acordo com os planos traçados pela autarquia para garantir a sustentabilidade económica do projecto.