Felizmente que as imagens ainda não incluem cheiro, pelo menos no que diz respeito a estas recolhidas ontem na nossa horta; caso contrário, não sei se conseguiríamos ficar a escrever muito mais e ter alguém desse lado a ler o muito pouco que até agora foi escrito neste post.
Seja como for, a culpa é toda do chorume de urtiga, uma solução em que o adjectivo fétido só peca por não dar conta da real e insuportável situação experienciada (pois continua a ser apenas uma imagem sem cheiro); e no entanto, quando explicadas as suas propriedades e beneficios, se revela inesperadamente uma autêntica poção mágica, por sinal muito em voga entre os adeptos da agricultura biológica, capaz de estimular o crescimento das plantas e de as proteger de diversas maleitas.
O processo para a obtenção do preparado de cor escura e odor desagradável a que chamamos chorume, e que resulta de processos biológicos, químicos e físicos da decomposição de resíduos orgânicos, começou a semana passada com a colheita de urtigas frescas nas redondezas da horta, tarefa que exigiu a utilização de luvas grossas e de mangas compridas, tendo as plantas sido colocadas dentro de um saco de rede e este dentro de um bidão de plástico. Por cada quilo de urtigas foram adiccionados vinte litros de água do tanque. Na próxima semana, a maceração deverá ficar concluída e por isso em condições de ser coada e guardada para utilizações futuras, quer como fertilizante quer como insecticida cem por cento biológicos. No primeiro caso, a aplicação deverá ser feita numa proporção de uma parte de chorume para dez de água. No segundo caso, numa proporção de uma parte de chorume para cinco de água. O pulgão e a mosca branca é que não vão achar piada nenhuma a este arsenal de guerra muito pouco convencional.
Se as imagens tivessem cheiro...
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