A RUA DAS HORTAS EXISTE MESMO. FICA SITUADA EM MOURA, NO BAIRRO DO SETE E MEIO.
ESTE BLOGUE É O DIÁRIO DE BORDO DA HORTA COMUNITÁRIA AÍ EXISTENTE. INICIALMENTE ASSOCIADA A UM PROJECTO DE FORMAÇÃO PARA PÚBLICOS DESFAVORECIDOS, COMO ESPAÇO DA COMPONENTE TECNOLÓGICA DO CURSO, A HORTA ENCONTRA-SE AGORA NUMA SEGUNDA FASE. NESTE MOMENTO, ACOLHE ALGUNS DOS FORMANDOS QUE MOSTRARAM VONTADE EM PROSSEGUIR A ACTIVIDADE PARA A QUAL FORAM CAPACITADOS E ESTÁ ABERTA A OUTROS INTERESSADOS EM ACEDER AOS RESTANTES TALHÕES DEIXADOS LIVRES. UNS E OUTROS SÃO RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO COMUNITÁRIA DA HORTA, MEDIANTE A OBSERVÂNCIA DE UM REGULAMENTO E CONTRATO DE UTILIZAÇÃO. ESTE PROJECTO CONTA COM A ORGANIZAÇÃO DA ADCMOURA EM PARCERIA COM A CÂMARA MUNICIPAL DE MOURA, NÚCLEO LOCAL DE INSERÇÃO DA SEGURANÇA SOCIAL, EQUIPA TÉCNICA DE ACOMPANHAMENTO FAMILIAR PROTOCOLO DE MOURA E CENTRO DE EMPREGO DE MOURA. TAL COMO ATÉ AQUI, ESTE É TAMBÉM O ESPAÇO PARA FALAR DE REGENERAÇÃO URBANA, AGRICULTURA BIOLÓGICA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E SOLIDÁRIO.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Uma espécie de adiafa

Celebrámos a conclusão do nosso curso de formação com um lauto almoço confeccionado pelos próprios formandos e servido em plena horta. Tratou-se de uma espécie de adiafa, termo utilizado aqui no Alentejo para designar o ritual de celebração alimentar e de confraternização associado à conclusão dos trabalhos do campo, após o ciclo agrícola. Para a ocasião festiva, escolhemos receitas à base de produtos das hortas e convidámos alguns amigos a juntarem-se à nossa mesa, que ficaram extasiados com a diversidade e qualidade da oferta gastronómica.
As iguarias que fizeram as delícias de todos os comensais, sem excepção, divididas por entradas, pratos principais e sobremesas, dão pelos nomes apetitosos de:  favas salteadas com enchidos, cenouras à algarvia, batatas de alho e azeite, pesto de manjericão, tomate cherry recheado, caldo verde salteado, alho francês à Brás, caldo de espinafres com queijo e ovos, pêras cozidas com alfazema, laranjas com azeite e flor de sal, maçãs assadas com passas.
Porque a lista é grande, optámos por transcrever apenas uma das receitas, a do caldo de espinafres, que reza assim: 
Ingredientes: 1 molho de espinafres; 1 cebola grande; 2 cabeças de alho; 5 batatas médias; 2 queijos frescos; 4 ovos; azeite; louro; sal.
Modo de preparação: Cebola e metade dos alhos bem picadinhos a refogar no azeite com o louro. Deitar os espinafres e as batatas cortadas em rodelas grossas. Temperar com sal. Mexer bem durante 2 a 3 minutos. Depois dos espinafres perderem metade do seu volume, deitar então a água e deixar cozinhar em lume médio durante 30 minutos. Acrescentar os queijos cortados em quartos ou oitavos e cozinhar durante mais 5 minutos. Finalmente, deitar os ovos um a um para escalfar. Pode ser servido acompanhado de cubos de pão.
Durante a refeição, fomos brindados com uma excelente notícia: a confirmação de que, pelo menos, metade dos formandos quer continuar a produzir nos seus talhões, assegurando a continuidade da horta e do processo de inserção social e profissional que norteou este projecto formativo, depois da necessária aceitação do regulamento e assinatura do contrato  que se encontram em fase de ultimação. Quanto aos talhões livres, serão objecto de concurso público, podendo candidatar-se todas as pessoas que revelem motivação e gosto em integrar uma horta comunitária, embora possa ser dada prioridade a candidatos em situação de desfavorecimento social e económico.   
Boas notícias, portanto, para o futuro da nossa horta. 
  


O início da refeição.


O que escolher? O melhor é provar de tudo.


Confraternização e parabéns aos cozinheiros.


Vamos lá provar estas cenouras à algarvia, com óptimo aspecto.


Em primeiro plano, maçãs assadas  com passas; em segundo plano, alho-francês à Brás.


Não há palavras para este caldo de espinafres com queijos frescos e ovos. Fiquemo-nos então pela degustação.


Estão muitos boas estas pêras cozidas com alfazema. Idem, idem para as laranjas com azeite e flor de sal. 


Em cima, da esquerda para a direita: o Armando, a Ana Paula, a Emília, a Judite, o Jorge e o Hugo. Em baixo, no mesmo sentido: a profª Cláudia, o Jonas, a Dina e a Isabel.




A adiafa
"Na altura da tirada da cortiça, a casa dava sempre uma adiafa aos tiradores da cortiça. Havia borrego, vinho e pão. E a festa era ao pé das pilhas da cortiça".  (António Vilela)
"Depois, no fim da mercadoria estar toda carregada (a cortiça), faziam aquelas adiafas. Os patrões é que davam então um borrego para comemorar o fim do trabalho. É uma festa que eles fazem de comer e beber e paródia que a malta fazia". (António Oliveira)

in VALAGÃO, Maria Manuel (org.), Natureza, Gastronomia & Lazer - plantas silvestres alimentares e ervas aromáticas condimentares, edições Colibri, 2009, p. 55.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Pode ser que chova

A terra apresenta-se seca, fissurada, quase esquelética. Não seria novidade por estas paragens se estivéssemos em Julho ou Agosto. Acontece que chegámos a meados de Março sem pinga de chuva nos últimos três meses e com pouca ou nenhuma esperança de que a situação de seca se altere significativamente nos próximos tempos, apesar dos serviços de meteorologia nos quererem adoçar a boca com alguns chuviscos prometidos para este fim-de-semana. Neste momento a seca subiu à categoria de "extrema" em 30 por cento do território continental. A nossa horta só não faz parte desta percentagem porque conta, felizmente, com um oásis e um plano de rega de emergência accionado há já algumas semanas, de que fazem parte regadores, baldes e muita força braçal, isto enquanto não estiver a funcionar o sistema automático. Sem a pequena bolsa de frescura que é o seu tanque, rasante de água de nascente, e a situação seria de calamidade para as nossas culturas como sucede por esses campos fora, de norte a sul, onde já só as pedras conseguem medrar. Dizem que a culpada pela situação que alastra a toda a Península Ibérica chama-se NAO (North Atlantic oscillation). É por causa dela, da oscilação, que os ventos de oeste e as superfícies frontais responsáveis pela chuva teimam em deslocar-se para latitudes mais setentrionais, cedendo o seu lugar aos anticiclones de bloqueio, que não arredam pé por cima das nossas cabeças. Tudo leva a crer que este cenário tenderá a repetir-se com maior frequência no futuro, com aumento da temperatura média da atmosfera, diminuição da precipitação e registo de fenómenos extremos de que as secas são exemplo. Sabemos como chegámos aqui, mas não sabemos como vamos sair. Espera-se que um sobressalto cívico global ajude a encontrar e a percorrer o caminho, o do desenvolvimento sustentável. Entretanto, pode ser que chova. Se isso acontecer, é menos uma crise em que pensar. Até à próxima seca. 

Vem a propósito desta situação de seca, evocar uma passagem sugestiva de um dos contos de Juan Rulfo, o mestre do realismo mágico: 

"Faustino diz:
-Pode ser que chova.
Todos levantamos a cara e olhamos uma nuvem negra e pesada que passa por cima das nossas cabeças. E pensamos: «Pode ser que sim.»
Não dizemos o que pensamos. Há bastante tempo que se nos acabou a vontade de falar. Acabou-se com o calor. Uma pessoa conversaria com muito gosto noutro sítio, mas aqui dá muito trabalho. Uma pessoa põe-se a conversar aqui e as palavras aquecem na boca com o calor de lá de fora, e secam-se-nos na língua até nos deixarem sem fôlego.
Aqui as coisas são assim. Por isso a ninguém lhe dá para conversar.
Cai uma gota de água, grande, gorda, fazendo um buraco na terra e deixando um empaste como de uma cuspidela. Cai sozinha. Nós esperamos que continuem a cair mais. Não chove. Agora, se olharmos para o céu, vê-se a nuvem aguaceira correndo para bem longe, cheia de pressa. O vento que vem da aldeia arrima-se-lhe empurrando-a contra as sombras azuis dos cerros. E a gota caída por engano é comida pela terra, que a faz desaparecer na sua sede.
Quem diabo terá feito esta planície tão grande? Para que é que serve, hã?"

Juan Rulfo, "Deram-nos a terra" in A Planície em Chamas (El llano em llamas), tradução Ana Santos, Cavalo de Ferro editores, 2003.


Um tomilho e uma manjerona à espera do chuveiro dos regadores


O Jonas sachando a sua leira de favas 


Uma alface do talhão do Armando, que já dá para uma salada


Ervilhas à compita com alfaces e couves


Sachar, mondar, regar


O Hugo já perdeu a conta aos regadores de água


O Joaquim e as suas alfaces consoladas

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Hortas e alegretes

Na rua das Hortas, quem não tem horta caça com alegrete.


Alegrete de verão


Alegrete de inverno


(Duas traduções, a partir do grego, da mesma passagem da Odisseia, de Homero, inspirada nas hortas, pomares e alegretes do Mediterrâneo.)

Os jardins de Alcínoo

Fora do pátio, cerca das portas, um grande jardim
de quatro jeiras; cerca-o uma sebe a toda a volta.
Aí crescem altas árvores viçosas,
pereiras e romãzeiras, e macieiras de frutos luzidios,
doces figueiras e oliveiras frondosas.
Nunca o seu fruto se perde ou deixa de produzir,
quer seja inverno ou verão; duram sempre.
O Zéfiro, que sopra sempre, faz criar uns, e outros sazonar.
Uma pêra amadurece sobre outra, uma maçã sobre a maçã,
o cacho sobre o cacho, o figo sobre o figo.
Ali está plantada uma vinha muito fértil.
Num lado, num espaço de terreno liso,
está a secar ao sol, e colhem-se já os cachos,
e pisam-se outros. Em frente estão uvas verdes
que largam flor, outras começam a amadurecer.
No extremo do jardim, crescem alegretes cuidados,
com plantas de toda a espécie, todo o ano verdejantes.
Há também duas fontes; uma irriga o jardim todo;
outra vai passar sob o limiar do pátio,
a caminho do palácio altaneiro. É lá que os da cidade se abastecem.
Tais eram as dádivas esplêndidas dos deuses a Alcínoo.


Homero, Odisseia, Canto VII, 112-132, trad. Maria Helena da Rocha Pereira (1959)


Fora do pátio, começando junto às portas, estendia-se
o enorme pomar, com uma sebe de cada um dos lados.
Nele crescem altas árvores, muito frondosas,
pereiras, romãzeiras e macieiras de frutos brilhantes;
figueiras que davam figos doces e viçosas oliveiras.
Destas árvores não murcha o fruto, nem deixa de crescer
no inverno nem no verão, mas dura todo o ano.
Continuamente o Zéfiro faz crescer uns, amadurecendo outros.
A pêra amadurece sobre outra pêra; a maçã sobre outra maçã;
cacho de uvas sobre outro cacho; figo sobre figo.

Aí está também enraizada a vinha com muitas videiras:
parte dela é um local plano de temperatura amena,
seco pelo sol; na outra, homens apanham uvas.
Outras uvas são pisadas. À frente estão uvas verdes
que deixam cair a sua flor; outras se tornam escuras.

Junto à última fila da vinha crescem canteiros de flores
de toda a espécie, em maravilhosa abundância.
Há duas nascentes de água: uma espalha-se por todo
o jardim; do outro lado, a outra flui sob o limiar do pátio
em direcção ao alto palácio: dela tirava o povo a sua água.
Tais eram os belos dons dos deuses em casa de Alcínoo.



Homero, Odisseia, Canto VII, 112-132, trad. Frederiço Lourenço (2003)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Insecticida e sabão bio

Na semana passada recuperámos uma receita de outros tempos para obter insecticida e sabão bio, à base de azeite.
Para além de azeite lampante (azeite de acidez elevada que deve o nome à sua utilização na iluminação antes da descoberta da electricidade), juntámos, numa vasilha de plástico, potassa, cinza vegetal e água do tanque com o seguinte traço: 6 litros de azeite (em alternativa podem ser usadas borras de azeite), 1 quilo de cinza, 1 quilo de potassa e 4 a 6 litros de água.
Mexemos a solução sem parar durante mais de meia hora até conseguirmos um líquido meio pastoso para ser usado no combate a pragas, na proporção de uma parte de insecticida para quinze de água. 
Continuando a mexer durante mais algum tempo, em que se acentuou a reacção química (saponificação a frio), transformámos a mistura inicial numa pasta cada vez mais consistente, como se fosse chantilly, e, finalmente, em sabão sólido, pronto para ser cortado em pequenas barras.   


O Jonas e o Jorge no seu tirocínio de saboeiros


O aspecto da miscelânea


Chato (ou chata) como a potassa

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A escola vai à horta

Ontem, a Escola e o Jardim de Infância do Sete e Meio e a Escola do Fojo saíram por momentos das suas fronteiras habituais e desceram à horta para uma aula diferente que cativou a atenção e despertou a curiosidade de cerca de uma centena de crianças acompanhadas pelos seus professores. Acreditamos que todas levaram consigo experiências marcantes, diferentes do habitual, que as ajudarão a crescer e a compreender melhor o mundo em que vivem. Por mais que se invente e reinvente na pedagogia, nada substitui o estar cara-a-cara com umas ervilhas, um tanque de rega com peixes e uma pilha de compostagem, ou não fosse "a experiência a madre de todas as cousas". Neste como noutros sentidos, a Semana da Comunidade Educativa, que decorre por estes dias em todo o concelho de Moura e na qual este evento se integra, tem sabido contribuir, ano após ano, com lançamentos renovados de sementes que, esperamos todos, possam vir a germinar no futuro.   


Não tarda estamos a entrar na horta.


Agora que já entrámos vamos poder perceber algumas coisas sobre a horta: quem está a fazer a horta?, para que serve a horta?, o que podemos cultivar na horta? etc, etc., etc.


Vamos lá saber então onde estão as favas, e as ervilhas, e os alhos, e as couves e os espinafres? 


Se se voltarem para trás, vêem muitas plantas aromáticas nesta ribanceira, que servem para afugentar as pragas nocivas à horta e atrair os insectos amigos que ajudam na polinização. 


Ena tantos que nunca tinham visto alfaces roxas. Devem ter andado distraídos...


E agora imaginem como serão os bichos que trabalham dentro desta pilha de compostagem... Principalmente muito simpáticos por nos ajudarem a decompor todo este material vegetal que, no final, servirá para alimentar as nossas plantas.


Eis um copo de chorume de urtiga, uma "bebida" feita na horta a pensar na alimentação das nossas plantas. É verdade que cheira muito mal, mas é 100% natural, sem corantes nem conservantes.  


E, para terminar, os novos inquilinos da horta: um casal alternativo de espantalhos feitos pelos alunos do Jardim de Infância e da Escola Básica do Sete e Meio. Parabéns pelo gesto que tiveram e pela produção destas duas obras-primas a partir da reutilização de vários tipos de resíduos.  A horta e o ambiente agradecem!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O solo em análise I


A recolha de amostras de solo é fundamental para avaliar a fertilidade de um terreno agrícola e com isso identificar eventuais medidas correctivas que garantam maior produtividade e benefício financeiro. Como não podia deixar de ser, também na nossa horta recorremos a este procedimento, recolhendo em cada uma das duas parcelas uma pequena porção de solo capaz de ser o mais representativa possível numa análise química. Para o efeito, usámos uma enxada, uma colher de pedreiro, um balde e um plástico bem limpos de qualquer resíduo que pudesse influenciar o resultado final. 
Em cada parcela o terreno foi percorrido em ziguezague, tendo sido recolhidas perto de uma dezena de amostras (as chamadas amostras simples) em diferentes pontos. Cada uma destas amostras, com 2 a 3 centímetros de espessura e retirada de uma cova a uma profundidade de 20 centímetros para dentro do balde, foi depois vazada sobre o plástico. As várias amostras simples foram em seguida misturadas e passadas a "pente fino" para identificar pedras indesejáveis, criando-se no final uma amostra composta, de cerca de 1 quilo, acondicionada num saco de plástico acompanhado de etiqueta mencionando data e local da colheita, pronta a seguir para o laboratório.

O solo em análise II


As plantas são seres vivos que, para além da água, necessitam de alimento para se reproduzirem, crescerem e manterem saudáveis. No caso das plantas, os nutrientes estão dissolvidos na terra e são absorvidos através das raízes. São treze os elementos químicos essenciais para a sobrevivência de todas as plantas. Nos macronutrientes, absorvidos em grande quantidade, temos o azoto (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (MG) e enxofre (S). Quanto aos micronutrientes, necessários em muito menores quantidades, encontramos o ferro (Fe), zinco (Zn), manganésio (Mn), boro (B), cobre (Cu), molibdénio (Mo) e o cloro (Cl).
Vem esta explicação prévia  a propósito dos resultados laboratoriais das duas amostras de solo que enviámos para análise. Conclui-se a partir da leitura dos dados quantitativos que o solo da horta apresenta uma textura média, um teor médio de matéria orgânica (M.O.) e uma capacidade de troca catiónica (CTC) elevada, bem como uma presença acentuada de carbonatos, maioritariamente constituídos por cálcio (calcário a muito calcário) e um ph pouco alcalino, revelando, no entanto, um grau de saturação em magnésio que se torna limitante. Estes dados são consistentes com a análise textural de campo e observação empírica realizadas no terreno, bem como com os substratos carbonatados e dolomites presentes nesta região. 
Estamos assim perante um solo rico em macro e micronutrientes e elevada CTC, acompanhada de um teor apreciável de M.O., que permite estabelecer complexos argilo-húmicos estruturantes do perfil do solo e essenciais ao desenvolvimento de raízes, circulação de água, desenvolvimento de reacções aeróbias pelos microrganismos presentes no solo, resistência à compactação, entre outros aspectos.
Por sua vez, o excesso de magnésio no solo provoca perda de azoto pela formação de nitrato de magnésio, altamente lixiável no solo, competição com o potássio na absorção pela planta, diminuição da floculação do solo, compactação e maior adesividade do solo. Estas características foram, de resto, observadas aquando das primeiras chuvas em Novembro passado, constatando-se um solo pegajoso e com alguns problemas de drenagem por lentidão na infiltração de água.